A abordagem às Minas dos Carris pela linha de fronteira não é das mais fáceis.
Os cerca de 500m de declive positivo logo nos primeiros 3km de subida, são um bom aquecimento a ter em conta tendo que ser gerido com moderação.
Aliás, uma das características mais fascinantes do maciço central da Serra do Gerês é, quanto mais difícil, melhor, e a cumeada da Encosta do Sol é disso exemplo.
Chegando à Cruz do Pinheiro observamos o Vale do Rio Homem em quase toda a sua extensão, simplesmente, espetacular!
Olhando para trás podemos visualizar o Pé de Cabril, a albufeira de Vilarinho das Furnas, a Serra Amarela e mais distantes as Serras do Soajo e Peneda.
A progressão continua ao longo da linha de fronteira com um declive positivo acentuado e com a paisagem a tornar-se cada vez mais imponente.
Chegamos então a um Miradouro no alinhamento de Água de Pala. É indescritível ver uma tão grande extensão do estradão dos Carris, estando numa posição 400m acima sobre um enorme precipício.
Os vales das Ribeiras de Água de Pala e Cagarouço não são menos impressionantes, consegue-se ver até o Curral do Absedo.
A jornada prossegue agora ao ritmo de sobe e desce sendo os trilhos um pouco difíceis e com inclinação acentuada.
Chegando ao ponto mais alto que antecede a Lage do Sino, tempo para observar aquele planalto granítico e as linhas de água que alimentam a alta cascata que se observa abaixo do Cabeço do Madorno quando se passa no estradão dos Carris, curioso, sem dúvida. Podemos observar também os cumes a vencer à nossa frente, Altar de Cabrões e Marco de Carris.
Ainda antes de chegar à Amoreira, novo momento de contemplação, as Minas das Sombras.
Posto isto, a tareia do dia, subir ao Altar de Cabrões a 1538m, apenas menos 10m que o Pico da Nevosa.
São cerca de 200m de declive para 750m de progressão. O dito cume a fazer jus ao nome, sem dúvida.
Lá em cima as paisagens são espetaculares, permitindo ver a Roca Negra, Louriça, Peneda, com a presença da Nevosa a uns escassos 1100m.
Aponto como curiosidade o facto de conseguir ver daqui na Peneda, o Lugar de Rouças, são Bento do Cando e até a Branda de Bosgalinhas. Pena ter tirado as fotos com o telemóvel e não ter a maquina fotográfica para fazer um zoom daqueles!
Prosseguimos então viagem para o marco Geodésico dos Carris a 1508m e descemos para o complexo mineiro.
Logo à entrada tive uma agradável surpresa.
Devido à condição solar, eram perfeitamente visíveis as inscrições "MINAS DOS CARRIS" e "PROIBIDA A ENTRADA SEM AUTORIZAÇÃO" nos muros da entrada.
Depois do almoço seguimos em direcção a um miradouro que penso ser pouco visitado para quem vai casualmente aos Carris. Vou chamar-lhe "miradouro Este do Salto do Lobo" e que fica cerca de 250m a Este das Lavarias.
As paisagens são também espectaculares, e temos uma perspectiva rara sobre toda a área compreendida entre a Nevosa, Cornos de Candela e Alto das Eiras.
Na zona de exploração minéria recomenda-se prudência porque algumas galerias estão a abater!
O regresso foi efectuado pelo amontoar de pedras soltas que é o estradão dos Carris.
Destaco a nudez gritante da encosta sul do Vale do rio Homem desde as Abrótegas ao Cabeço do Madorno, resultantes do incêndio do verão de 2013.
É um choque quando se compara fotos antes e depois do incêndio.
No entanto, conseguem-se identificar muitas lagoas naturais antes escondidas e inacessíveis, e algo que penso que seja o segmento do antigo trilho dos Carris que seguia em parte pela margem direita do Rio Homem algures entre o Madorno e o Cagarouço.
Percurso pedestre: 23km em 7 horas de caminhada efetiva.
Track GPS: aqui
















































Boa noite,
ResponderEliminarPara si qual a melhor maneira de chegar aos carris? pela antiga estrada da portela do homem ou pela fronteira?
Cumprimentos
Boa noite Nuno.
ResponderEliminarSem dúvida pela antiga estrada é muito mais fácil com a vantagem de não se perder.
Numa primeira vez penso que será a melhor abordagem e que é muito bonita sobretudo na descida.
Cumprimentos,
Anselmo Cardal
Obrigado Anselmo pela sua resposta,
ResponderEliminarEu estava a tentar evitar esse caminho, já o fiz algumas vezes e aquela calçada degradada é muito penoso... Estava a tentar procurar uma solução pelo lado espanhol..
Cumps
Se já fez o estradão então penso que deve tentar esta variante pela cumeada porque também é muito bonita e é espectacular ver o outro caminho lá em baixo em alguns locais, no entanto é um caminho bastante mais duro fisicamente. Para quem tem algum andamento faz-se bem, mas com este calor vá preparado porque não existe uma única sombra.
ResponderEliminarQuanto ao estradão. No ultimo ano o piso melhorou porque tem mais terra e material orgânico resultante dos incêndios e de algumas roças por aqueles lados.