segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

À conquista da Nevosa com Neve

Subir à Nevosa com neve era um objectivo antigo.

Na ideia inicial a partida seria da portela do homem com subida pelo estradão dos Carris. No entanto, o camarada de luta não é de conversa mole, e preferiu faze-lo a partir do Xertelo mesmo com uma linha de tempo diminuta visto que anoitece muito cedo.

As primeiras horas de caminho foram realizados por estradão com chuva ligeira e vento moderado, seguindo depois pelo chamado trilho do castanheiro.

A partir dos 1100m a neve era já abundante, e é nestas alturas que representa maior perigo devido ao facto de ser pouco consistente encobrindo valas provocando verdadeiras armadilhas, para além dos pântanos que se formam com alturas de degelo.

Chegando ao Alto das Eiras a paisagem é inacreditável. Todos os maciços que se erguem à nossa frente pintados de branco.

Conseguimos visualizar a Fonte Fria, a Fraga de São João, os campos em Pitões cobertos de Neve. Infelizmente na Nevosa persistiam nuvens que teimavam em não se afastar.

Já no Curral das Negras tempo para mais uma contemplação. O muro da represa dos Carris lá no alto, inesquecível.

À nossa direita a via que nos iria levar ao cume. 2km de percurso com 300m de declive, uma quantidade de neve descomunal e uma abordagem totalmente nova para mim. Ao fim de uma hora e algum alpinismo lá chegamos.

Já no famoso marco de fronteira J117 que fica mesmo em frente ao Pico da Nevosa, e com uma nuvem negra a pairar mesmo nas nossas cabeças, não nos sentíamos motivados a subir ao rochedo. No entanto num piscar de olhos, a nuvem afastou-se e conseguimos subir ao primeiro patamar. 

Tentamos subir mesmo ao cume, mas após algumas tentativas, com muito gelo e neve, teve que imperar o bom senso e resolvemos descer. 

O caminho para os Carris foi realizado rapidamente com a ajuda da neve nas descidas.

Já no complexo mineiro tempo para umas fotos daquele mágico lugar, comer algo e seguir viagem.

A descida pelas lavarias é fácil, mas tem uma interrupção provocada por derrocadas nas escadas existentes já no final, o que representa perigo, e se cair mais algum degrau, ficará intransitável, pelo menos pelos moldes atuais.

A lamalonga e o seu enorme planalto coberto de branco também fica na memória. A descida para o Ribeiro do Penedo é rápida e realizamos a sua travessia mesmo ao cair a noite por volta das 17:20h. O restante percurso até ao Xertelo foi feito já de noite mas sem problema.

Com uma distancia superior a 26km nesta altura do ano e com muita neve, realizar esta caminhada foi uma opção muito ponderada, feita com bom planeamento, material apropriado, previsões meteorológicas favoráveis e ambos em boa condição física.

Mesmo assim, sabemos que é arriscado. A abordagem pelo estradão dos Carris é mais sensata.

Percurso pedestre

26 km

7 horas de caminhada efectiva

Aceda aos Track-Points GPS aqui

































































3 comentários:

  1. Só posso dizer, parabéns pela coragem de fazer uma coisa destas nesta época do ano

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  2. Boas Anselmo!

    Subscrevo o comentário anterior e tiro-vos o chapéu pelo feito. Não é e não deve ter sido fácil!
    Espectacular!
    Votos de um 2014 cheio de grandes momentos... como este!

    Abraço montanheiro.

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  3. Olá Alberto.
    De facto foi uma violência, mas foi igualmente épico.
    Andamos sempre na red-line.
    Se a coisa estivesse a ficar preta, teríamos cortado caminho das Negras para a Lamalonga , mas a vontade de ir lá acima foi mais forte e conseguimos faze-lo e tempo útil.
    Abraço.

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